Lance Final

Tudo o que você sempre quis saber sobre futebol

Meninos alemães podem chorar

Um país arrasado pela Segunda Guerra, repartido, e com inúmeras dúvidas quanto ao seu nacionalismo. Assim é a Alemanha retratada em O Milagre de Berna. O filme se passa de 1954, ano em que foi realizada a quinta edição da Copa do Mundo, na Suíça. Até então, os alemães só tinham participado duas vezes, em 34, na Itália – quando ficaram em terceiro-, e em 38, na França – quando caíram na primeira fase com reclamações sobre a imposição às pressas de jogadores da recém anexada Áustria no elenco.

Depois passariam oito anos sem jogar, de 42 a 50, banidos pela FIFA. A renovação contava com o técnico da Copa de 38, Sepp Herberger. Sua opção foi usar o Kaiserslautern como base para a seleção, time duas vezes campeão alemão nos últimos quatro anos e onde atuava o capitão Fritz Walter.

No lado futebolístico, era assim que a Alemanha se preparava para a Copa, mas o filme serve também, e ganha maior destaque no caso daqueles que não gostam muito do esporte, para situar esse momento de reconstrução da sociedade alemã.

O núcleo “não boleiro” centraliza no garoto Matthias Lubanski, que mora com sua mãe e irmãos, e que não conhece o pai, que fora mandado para o front antes do seu nascimento e ainda era mantido como prisioneiro de guerra pelos soviéticos na Sibéria. Ele é um mascote de Helmut Rahn, artilheiro do Rot-Weiss Essen.

O retorno do pai, Richard, cai como uma bomba para a família, que apesar das dificuldades, tinha aprendido a viver sem a figura paterna. Desta forma, vários confrontos surgem entre os filhos e o velho pai, que tenta, com uma autoridade militar, “educar” os filhos, mas, ao mesmo tempo, não consegue resistir às marcas que a guerra deixara.

Nesse momento, o futebol surge como elo entre pai e filho. Se inicialmente Richard sentia-se traído por Matthias, que demonstra ter mais interesse por Rahn do que por ele, depois o jogo se torna o elemento que vai unir os dois, especialmente na viagem às pressas para Berna, sede da final.

A final é o único momento em que o jogo é encenado. Na outras partidas, o enfoque é no ambiente da seleção, nas entrevistas pós jogo – com frases eternizadas por Herberger, como “O depois do jogo é antes do jogo” -, no bar da família Lubanski e no jovem jornalista esportivo Ackermann e sua esposa, que acabou alterando a lua de mel para cobrir a Copa.

O grupo da Alemanha tinha Hungria, Turquia e Coréia do Sul. Mas o regulamento só permitia dois jogos para cada time, e, com uma vitória contra os turcos na estréia, os alemães poderiam até mesmo perder para a Hungria que não corriam o risco de ser eliminados.No máximo, teriam um jogo extra.

O técnico pôs os reservas e eles foram atropelados pelo time hungaro por 8 a 3. O filme retrata Rahn e mais outros dois jogadores fugindo da concentração para beber, já que se viam como meros reservas – na época, não existiam alterações durante a partida. O atacante não é dispensado devido à influência de Walter e Herberger, que reconhecem o seu talento em prol da disciplina.

Depois de passar pela Turquia, Iugoslávia e Áustria, mesmo sob críticas ao perfil mais defensivo da Alemanha e à escalação de Rahn, só restava a Hungria, invicta à mais de quatro anos. Nesta hora o técnico mostra que o primeiro jogo serviu para descobrir as fraquezas do adversário, que deveriam contar com a lesão mal-recuperada do húngaro Puskas e com a chuva, que dificultaria o toque de bola e daria vantagem aos alemães, contando com chuteiras de trava removível, novidade de Adi Dassler, o fundador da Adidas.

Com menos de dez minutos de partida, os favoritos húngaros fizeram dois gols, com Puskas e Czibor. Mas ainda no primeiro tempo Morlock e Walter empataram. E faltando apenas seis minutos para o fim do jogo, Rahn virou para os alemães, resultado esse que serviu de inspiração para a nova Alemanha que surgia então.

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setembro 21, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Do futebol à política

Do futebol à política

Por Mariane Granado

Distantes dos gramados e próximos dos eleitores. Esta, agora, é a vida de craques do futebol nacional que, com o fim da carreira, resolveram tentar uma vaga na próxima eleição.

E não são poucos! O LanceFinal registrou 11 ex-jogadores que formam o time de candidatos políticos.

Saiba, então, quem são eles.

Bebeto: José Roberto Gama de Oliveira é candidato a deputado estadual pelo PDT-RJ, ao qual está filiado há um ano e meio. Enquanto jogador, Bebeto atuava como atacante. Depois que aposentou as chuteiras, trabalhou como treinador no América-RJ e como comentarista esportivo, durante a Copa do Mundo deste ano, pela Al Jazira, maior rede de televisão do Qatar.

Romário: Depois que parou de jogar, o Baixinho treinou por pouco tempo o Vasco da Gama. Terceiro maior artilheiro da Seleção Brasileira com 55 gols, Romário, agora, é candidato a deputado federal pelo PSB-RJ. No slogan de sua campanha, o jogador se intitula “o cara”.

Marcelinho Carioca: O meia ganhou destaque no futebol jogando pelo Corinthians. Quando terminou a carreira, Marcelinho se arriscou no universo musical. A novidade do jogador desta vez é a política. Ele é candidato a deputado federal pelo PSB-SP.

Vampeta: Marcos André Batista Santos jogou passou por vários clubes brasileiros, com destaque para o Corinthians e para o Flamengo. Durante a Copa do Mundo deste ano atuou como comentarista pela TV Bandeirantes e, atualmente, é treinador do Nacional. Vampeta é candidato a deputado federal pelo PTB-SP.

– Dinei: Claudinei Alexandre Pires se tornou o único jogador do Corinthians a conquistar três Campeonatos Brasileiros. Não é iniciante na política. Em 2008, foi candidato a vereador pela cidade de São Paulo com o PDT, mas acabou não sendo eleito. Atualmente, pelo mesmo partido, Dinei é candidato a deputado estadual.

Marques: O atacante terminou a carreira aos 37 anos, no Atlético-MG. Depois da trajetória no futebol, ele decidiu entrar na política. Para as próximas eleições, é candidato a deputado estadual pelo PTB-MG.

Harlei: o goleiro do Goiás já tem 651 jogos pela equipe e ainda não decidiu parar. Mesmo assim, ele resolveu se arriscar na política. Ele pretende entrar na Assembleia Legislativa goiana pelo PSDB.

Túlio Maravilha: Jogador desde 1987, Túlio Humberto Pereira Costa já passou por Corinthians, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, São Caetano, entre outros clubes. E Túlio Maravilha já é veterano na política. Após passar pelo Botafogo, tornou-se vereador em Goiânia. O atacante disputa, pelo PMDB, uma vaga na Assembleia em Goiás.

Ademir da Guia: Maior ídolo da história do Palmeiras, Ademir da Guia já foi vereador pela cidade de São Paulo, eleito pelo PC do B. Depois, migrou para o PL, atual Partida da República-PR. Neste ano, também está nas propagandas eleitorais, candidato a deputado estadual pelo PPS.

Danrlei: Os gremistas o conhecem bem. No time profissional do tricolor gaúcho, o ex-goleiro teve uma passagem marcante, de 1993 a 2003. Agora, as mãos de Danrlei querem defender outra área: a política. É candidato a deputado federal pelo PTB-RS.

Adílio: Ex-meia direita do Flamengo, Adílio de Oliveira Gonçalves jogou nas décadas de 1970 e 1980. Pretende, no entanto, não ganhar votos apenas dos flamenguistas. É candidato a deputado federal PTC-RJ.

A maior estratégica desse time de esportistas é mostrar que, com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, eles podem ajudar o país a se organizar e se preparar para grandes eventos.

Será? A resposta começará a aparecer a partir de do dia 3 de outubro.

setembro 16, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Vermelho Para Todo Mundo

Vermelho pra todo mundo

 por Mariane Granado 

Se você já se assustou ao ver um árbitro expulsar da partida três ou quatro jogadores, acompanhe esta história.

Pacaembu, Torneio Rio – São Paulo de 1954. Naquele dia, acredite, os 22 jogadores foram expulsos. De fato, o duelo entre Portuguesa de Desportos e Botafogo – RJ, do craque Guarrincha, marcou a história do futebol. O quebra-pau começou quando o zagueiro Thomé, do time carioca, tentava cobrar um tiro de meta. O atacante Ortega, da Lusa, catimbava para tentar ganhar tempo, com o placar de 3×1 a favor dos paulistas. Por causa disso, os dois jogadores discutiram e logo partiram para a briga, trocando intensamente socos e pontapés. A partir daí, a confusão cresceu e envolveu os outros atletas. Tranquilo, o árbitro Carlos de Oliveira Monteiro assistiu à bagunça, esperou o sossego voltar e, no final das contas, saiu mostrando o cartão vermelho sem piedade. Conclusão, todo mundo (Lindolfo, Nena, Valter, Herminio, Clóvis, Ceci, Dido, Renato, Nelsinho, Edmur e Ortega, da Portuguesa; Pianowski, Thomé, Floriano, Ruarinho, Bob, Juvenal, Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Jaime e Vinícius, do Botafogo) para o vestiário e fim de jogo, aos 31 minutos do segundo tempo.

O mesmo número de expulsões aconteceu em um jogo no Reino Unido, no dia 3 de novembro de 1969. Na ocasião, jogavam Tongham Youth Club e Hawley e o caso foi registrado no Guinness Book.       

agosto 19, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Champions League ou Libertadores?

Por Luiz Pettená

Pelé ou Maradona? Claudinho ou Bochecha? Ronaldo ou Romário? O jornalista com que vos fala entrou na onda das polêmicas e resolveu colocar mais uma discussão na mesa. Dessa vez, a equipe do Lance Final bolou 5 motivos para se assistir tanto a Copa Libertadores quanto a UEFA Champions League e gostaria de saber a sua opinião leitor! Afinal, qual é melhor?

EUFA Champions League:

1-) Messi, Julio Cesar, Cristiano Ronaldo, Kaká, Ibrahimovic: qual outro campeonato do mundo poderia reunir jogadores tão badalados e famosos?

2-) “Hino da Champions”: quem nunca se imaginou entrando em campo com aquela trilha sonora clássica e característica? A música dos campeões!

3-) Propagandas da Heineken: simplesmente as propagandas mais geniais produzidas para os intervalos de jogos de futebol! É difícil ficar indiferente perto delas.

4-) Anorthosis Famagusta, Debrecen e BATE Borisov são nomes desconhecidos para você? A Champions League não é só feita de Barcelonas e Manchesters!

SUPER TRUNFO: Belletti dando ao Barça o maior título de sua história! Há motivo maior?

Libertadores:

1-) Ligar a televisão e perceber que algum ídolo brasileiro do passado está jogando em um time mediano da Bolívia! (dica: procure por Túlio Maravilha).

2-) Coronel Bolognesi com o castiçal na sala de estar. Descubra onde o futebol está encaixado nessa frase!

3-) Nada como aproveitar o ar fresco e a brisa dos 4 mil metros de altitude de Potosi, na Bolívia!

4-) Quando os firuleiros sem objetividade e os adeptos do malfadado “cai cai” tornam-se a caça nas várzeas do continente. Paradinha aqui é coisa de moleque!

SUPER TRUNFO: Você já ouviu falar no Once Caldas? Não? Pois bem, o clube foi campeão com basicamente 10 defensores e sobrevivendo na base dos contra-ataques! Cereja do bolo 1: eliminou o Boca Juniors. Cereja do bolo 2: quase foi campeão mundial.

OBSERVAÇÃO: Nobres, as dicas são apenas de brincadeira. Mas se quiser levar a sério o problema é seu!

maio 26, 2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

A Bola da Copa

Por Mariane Granado

Desenvolvida pela Adidas, a “Jabulani” é a bola oficial do mundial que será realizado na África do Sul. Ela foi apresentada no dia 4 de dezembro de 2009, antes do sorteio dos grupos de seleções que compõem o torneio.
Na língua original do povo Zulu, “Jabulani” significa “trazendo alegria para todos”. Os outros idiomas oficiais do país são representados nas 11 cores diferentes que a bola apresenta. Além disso, as cores também representam os 11 jogadores das equipes e as 11 comunidades que receberão os eventos da primeira Copa do Mundo do continente africano.
Testada no Mundial de Clubes da FIFA e no Torneio Clausura, na Argentina, a “Jabulani” é uma versão usada na Copa das Nações Africanas, mas com um novo projeto, com oito gomos em 3D, unidos termicamente para dar um formato cilíndrico. Essa tecnologia com menos gomos faz com que os chutes sejam mais precisos e com melhor aderência.

Parece, mas não é
A grande final da competição terá uma bola especial. A “Jobulani” é uma versão da “Jabulani”, com detalhes dourados em homenagem a Joanesburgo, conhecida como a “Cidade de Ouro”. O nome é um trocadilho de Joanesburgo – a cidade onde será realizada a final do mundial – com “Jabulani”.
Será a segunda vez consecutiva que uma Copa do Mundo utiliza uma bola especial para a decisão. Na Copa de 2006, na Alemanha, a “Teamgeist Berlin” esteve na partida em que a Itália sagrou-se campeã.

A Copa do Mundo na África do sul acontecerá entre 11 de junho e 11 de julho.

maio 18, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , | 1 Comentário

A Copa de Diego

A Copa de Diego

Por Matheus Paggi
Publicado originalmente em 

Após sofrer as agruras de uma das ditaduras militares mais violentas na América do Sul, a entrada na segunda metade da década de 80 representava a aurora da democracia para a Argentina. Tal qual no Brasil a identificação e os reflexos da seleção argentina de futebol na sociedade sempre foram evidentes. Se 1978 representara a legitimidade máxima dos militares argentinos e do discurso de caráter autoritário e nacionalista (do mesmo modo que em 1970, no Brasil) com a conquista do mundial como donos de casa, a Copa do Mundo de 1982 se revelou um verdadeiro fracasso.

Marcada como a “tragédia de Sarriá” pelos brasileiros, a competição também não fora nada agradável para os hermanos que na estréia do já consagrado Maradona em Copas, viram o ídolo sofrer com a forte marcação e as expulsões em jogos decisivos. No mesmo ano, outro fracasso, dessa vez fora do campo marcaria a história do país para sempre. Numa atitude tresloucada do governo militar, a Argentina declarou guerra à Inglaterra, reivindicando a posse do território das Ilhas Malvinas (denominadas de Falkland pelos ingleses). O resultado, já esperado, foi a vitória acachapante dos europeus, levando os argentinos a abominar não só seu próprio regime governamental, responsável pela morte de cerca de 600 jovens, mas também os próprios ingleses, tidos a partir de então como inimigos declarados.

Chegava 86 e, embora a busca por justiça e a consolidação progressiva da liberdade no país estivesse a pleno vapor, a herança econômica dos governos militares era um câncer inevitável. O clima de desconfiança fruto do ápice da “década perdida” rondavam o ar. Nem mesmo a convocação de Diego era uma certeza nacional. Setores da imprensa divergiam em relação a real capacidade do jogador ainda sem destaque na equipe do Nápoli. Mas um sentimento era compartilhado: era preciso reorganizar a Argentina e, sobretudo, reconquistar o orgulho ferido de um povo maltratado.

Após ser escolhida como sede, a Colômbia desistiu da competição devido a graves problemas econômicos. A escolha mais sensata acabou sendo o México, cuja estrutura de 1970 ainda era plenamente favorável à disputa do campeonato. A previsão era de uma acirrada disputa, fundamentada pelo contraste de gerações. A Itália era a atual campeã, a França veria sua última Copa com Michel Platini, a Alemanha vinha com uma eficiente equipe liderada por Lotthar Matthaus, e o Brasil, comandado por Telê Santana, trazia ao mundo o craque Zico, ao lado de Sócrates, Careca e Branco. A Argentina corria por fora.

E assim foi ao longo da 1ª fase. A equipe azul e branca venceu as fracas Coréia do Sul e Bulgária, e ficou apenas no empate com a Itália (que não apresentava nem sombra do futebol de quatro anos atrás, sendo eliminada pela França nas 8as).

A equipe argentina vinha com uma mistura interessante de jogadores experientes com novos talentos, a ponto de relegar o veterano Daniel Passarela à condição de reserva. Nas oitavas, venceriam o Uruguai por 1 a 0, naquela que Maradona considera a melhor partida de sua carreira. Para a maioria dos críticos e fãs, contudo, essa partida viria a seguir, quando nas quartas de final o adversário seria a Inglaterra.

Impossível não relacionar a partida ao conflito militar protagonizado pelos dois países e ainda muito vivo na mente dos argentinos, cujo orgulho mantinha-se ferido. A equipe inglesa vinha gabaritada por seu elenco experiente e talentoso, com nomes como Glenn Hoddle, Peter Beardsley e Gary Lineker (artilheiro da Copa de 86), mas uma campanha irregular na 1ª fase a deixavam sob o foco da dúvida.

O clima do jogo era inevitavelmente tenso- tanques de guerra mexicanos faziam a segurança do lado de fora do Estádio Azteca. E do mesmo modo iniciou a partida. Jogando com seu uniforme reserva a Argentina era protagonista das ações no inícios do jogo, embora a violência tomasse conta da partida em ambos os lados. O jogo truncado era reflexo do clima que o envolvia. Maradona era caçado em campo e o máximo que conseguia eram algumas arrancadas infrutíferas em direção ao gol inglês. O 1º tempo terminava sem gols.

A volta dos vestiários mostra uma Inglaterra mais disposta, com domínio de jogo e executando forte marcação. Mas apenas seis minutos depois, num dos lances mais antológicos da história do futebol, a Argentina sairia na frente: após a bola alçada na área, Maradona ergue a mão junto à cabeça, praticamente fazendo um gol com um soco. “La mano Del diós”, ou a mão de deus, da divindade chamada Maradona que transgredia ali todas as convenções do esporte, como se estivesse acima de tudo e de tudos. Ele podia.

Após protestos infrutíferos junto ao árbitro, os ingleses buscavam reagir, mas o pesadelo só aumentaria. Três minutos depois de abrir o marcador a Argentina ampliaria o placar naquele que é considerado o gol mais bonito de Maradona em sua carreira, e provavelmente um dos mais belos da história das Copas. O craque recebe um passe na intermediária, e no domínio já tira um inglês da jogada. Numa disparada violenta, deixa nada menos que três jogadores da equipe adversária para trás, e num retoque de perfeição, ainda tem tempo de driblar o goleiro Peter Shilton, para tocar no fundo das redes: 2 a 0. Um caminhão chamado Maradona passava por cima da experiente equipe inglesa, que estava completamente atordoada.

Com uma excelente vantagem os argentinos passaram a administrar o jogo, e valorizar o resultado conquistado. Apenas aos 35 do segundo tempo a Inglaterra conseguiria diminuir, com o artilheiro Garry Lineker, mas não seria suficiente. O apito final decretava o sentimento de vingança consumada, promovido por um meia marrento e sua camisa de número 10. A Argentina ainda enfrentaria a Bélgica e a Alemanha Ocidental, antes de se sagrar bi campeã do mundo em 86.

maio 6, 2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

Macacos Velhos

Confira o relato diferenciado de nosso repórter Rafael Bergamaschi que cobriu in loco o embate ente Palmeiras e Sport, válido pelo Campeonato Brasileiro do ano passado

Macacos Velhos

por Rafael Bergamaschi

Comprei meu ingresso com antecedência, sem problemas, e fui para o jogo. Palmeiras e Sport duelariam nesta partida válida pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para o Sport valia a chance de subir na tabela e escapar de vez da zona de rebaixamento. Para o Palmeiras valia a tentativa de se aproximar do líder Grêmio, podendo ficar a até dois pontos de distância da equipe gaúcha, uma vez que o Grêmio jogaria no dia seguinte fora de seus domínios contra o Fluminense que busca recuperação no campeonato.
Meu ingresso era para a numerada coberta. O preço foi alto: 40 reais, sendo que eu tinha direito a meia entrada de estudante. Cheguei para o jogo com antecedência e parei meu carro em um shopping próximo ao Palestra Itália, que estava repleto de torcedores palmeirenses que também iriam ao jogo. Já no elevador percebia-se a agitação: pessoas que nunca haviam se visto antes conversavam e faziam piadas. Até a ascensorista entrou no clima, comparando o elevador lotado a um “coração de palmeirense onde sempre cabe mais um”.
Entrei no estádio. Estava relativamente cheio, 15.992 pagantes compareceram (o Palestra Itália tem capacidade para aproximadamente 30.000), público bom para um jogo de quinta-feira às 20h30min. Sentei em meu lugar, e me encolhi. A noite estava muito fria e eu não tinha levado um casaco. Faltavam aproximadamente trinta minutos para o início do jogo. Como passatempo, passei a observar dois torcedores sentados na fileira que estava na minha diagonal, à esquerda. Eram dois homens relativamente parecidos. Ambos deviam ter por volta dos cinqüenta anos, trajavam calça jeans e camisa social, e os dois vieram sozinhos ao estádio. Nove cadeiras vazias os separavam.
O primeiro, mais à minha direita, era magro e calvo. Cruza os braços e treme a perna, procura se aquecer. Intercala as unhas da mão com as pipocas que comprou, demonstrando ansiedade. O segundo era um pouco mais gordo, com uma cabeleira um pouco mais avantajada; parece mais à vontade em seu assento. Olha para o campo vazio, e ascende um cigarro, fumando-o com a maior calma do mundo. Espera, tranqüilo, o passar do tempo.
No alto-falante é anunciada a escalação da equipe da casa. A maior parte dos torcedores se empolga, aplaude, assobia ao ouvir o nome de seu jogador favorito. Mas não esses dois. Eles permanecem imóveis, parecem não ouvir nenhum barulho sequer. A reação é parecida tanto quando a equipe adversária entra em campo, como na entrada do time da casa. O estádio inteiro chia, vaia, aplaude, assobia, mas os dois… Nada. Permanecem intactos.
Começa a execução do hino nacional. Ambos se levantam e cruzam os braços para trás. Não cantam, apenas demonstram respeito pelo hino. Após o término, da execução o árbitro apita o início da partida. A cada jogada perigosa o primeiro torcedor se mexe no banco, vai para lá, para cá. Enquanto o segundo, irredutível, apenas traga seus cigarros.
O jogo está truncado, difícil, amarrado. Os olhos de nossos dois torcedores não se desviam do campo. O time da casa joga mal, perde bolas fáceis, não consegue encaixar nenhuma boa jogada. Aos 27 minutos, gol do Sport. Roger, ex-jogador do Palmeiras recebe bola de Carlinhos Bala e chuta para o gol. O estádio inteiro se enfurece, e lança xingamentos, mas os dois se mantêm calados, não esboçam nenhum tipo de reação. O panorama do jogo não muda muito por todo o primeiro tempo, e o juiz apita o fim do primeiro tempo.
As equipes voltam do intervalo e o Palmeiras tenta reagir, esboça algumas jogadas, mas realmente esta não parece ser uma noite feliz para equipe alviverde. Isso fica claro quando o relógio marca 23 minutos do segundo tempo e o centroavante Roger do Sport assinala seu segundo gol na partida. Neste instante, nosso segundo torcedor se levanta e vai embora. 5 minutos depois é a vez do outro. Foram embora no momento certo, não viram o Palmeiras sofrer seu terceiro gol, feito pelo zagueiro Durval aos 34 minutos. Ambos, macacos velhos, já tinham visto esse filme antes.



abril 30, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Quando Les Bleus viraram Les Verts

Por Renan Falcão

Copa do Mundo é sempre exemplo de organização, correto? Estádios modernos, transmissão global, uniformes cada vez mais leves, etc. Só que num passado nem tão distante, a competição conseguiu mostrar todo o seu lado varzeano. O ano é 1978, realizada na Argentina então sob regime militar, fato que desagradou muitas pessoas, gerando inclusive movimentos contrários à Copa na Holanda (não, isso não teve a ver com a não participação de Johann Cruyff, ele já tinha se desligado da Oranje anos antes). E a confusão não se restringiu ao extra-campo. O Brasil sofreu ao ter um gol anulado contra a Suécia, ainda na primeira fase. A Argentina teve uma goleada considerada suspeita contra o Peru, já eliminado na segunda fase, que levaram os donos da casa para a final. Com tantos casos, um que passou desapercebido aconteceu durante França e Hungria, em Mar del Plata, ainda pela primeira fase. Após duas derrotas, para italianos e argentinos, a última contestada pelos franceses, Les Bleus já estavam eliminados restando o confronto contra os magiares que também vinham de duas derrotas. A FIFA tinha recomendado que uma das duas seleções jogasse de branco, já que apesar da transmissão ser colorida para a Europa, na Argentina ainda era em preto e branco, o que causaria confusão entre o azul e o vermelho usado pelas equipes. Os hungaros apareceram no estádio José Maria Minella de branco. Só que os franceses também vieram de camisas brancas, sob a alegação de que não foram avisados sobre a mudança dos hungaros, que eram os “visitantes”. Mas a impressão mesmo é de que os Bleus resolveram tomar a decisão como um protesto. O fato é que o juíz, hoje comentarista Arnaldo César Coelho, teve que resolver o impasse. E o jeito foi utilizar as camisas do Club Atletico Kimberley, pequena agremiação de Mar del Plata, que utiliza camisas verde e branca. A camisa Vert deu sorte para os franceses, que ganharam por 3 a 1, gols de Lopez, Bertoll e Rocheteau, com Zombori descontando para os hungaros. Foi a primeira e única vez que uma seleção atuou com uma camisa que não era sua em toda história da Copa do Mundo.

Confira:

abril 20, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , , , , | 3 Comentários

Quando os cartões entraram em campo

 

Por Mariane Granado

 

O uso dos cartões amarelo e vermelho no futebol é relativamente recente. Ainda na Copa do Mundo de 1966, os juízes colocavam ordem nas partidas somente com o apito e com gestos. Quando um jogador exagerava nas reclamações, ocorria uma falta de comunicação entre ele e o árbitro, principalmente quando as línguas eram totalmente diferentes. Porém, um episódio em um jogo das quartas-de-final do torneio mudaria a história. No dia 23 de junho daquele ano, jogavam Inglaterra e Argentina com arbitragem de Rudolf Kreitlein. Logo no começo do duelo, o alemão apitava severamente e distribuía advertências. Os argentinos começaram a se sentir injustiçados e, representados pelo capitão Antonio Rattin, resolveram iniciar as reclamações. De tanto questionar e gesticular, o árbitro resolveu tirar Rattin de campo. A confusão levou 10 minutos para terminar e, no final das contas, a Argentina ainda teve que amargar a derrota por 1×0. Depois deste incidente, a FIFA decidiu instituir os cartões amarelo e vermelho para indicar advertência e expulsão respectivamente. A estreia aconteceu na Copa de 1970, no México, e foi bem agitada. No jogo inicial entre os anfitriões e a União Soviética, o árbitro alemão Kurt Tschenscher gostou da ideia e, com menos de 1 minuto, advertiu três jogadores com o cartão amarelo: o mexicano Gustavo Pena e os soviéticos Givili Nodia e Gennadi Logofet. E não parou por aí. Kakhi Asatiani e Evgeni Lovchev também receberam o amarelo. Já o temido cartão vermelho, não saiu do bolso dos árbitros durante o torneio. Isso só aconteceria na Copa seguinte, em 1974. Exatamente no dia 14 de junho, mais de 83 mil pessoas lotaram o Estádio Olímpico de Berlim e viram o jogador chileno Carlos Caszely levar o primeiro cartão vermelho da história das Copas, aos 22 minutos do segundo tempo na partida entre Alemanha Ocidental e Chile.

abril 19, 2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

Um Verdadeiro Fenômeno

 

por Luiz Juliano

Elas estão por todas as partes e é difícil de evitá-las, por mais que se tente. Se você, assim como eu, acompanha as Copas do Mundo desde que se conhece por gente, sabe que uma das maiores tradições nos anos do torneio é colecionar as famosas figurinhas dos craques que desfilarão suas habilidades em campo.

O fenômeno, que na última Copa de 2006 bateu recordes de vendagem mundial, deve bater mais uma marca neste ano. A corrida para completar os álbums é tão grande que muitas bancas da cidade de São Paulo já estão com o estoque de pacotinhos esgotado e está na fila das distribuidoras para abastecer os seus estabelecimentos.

Outro fenômeno interessante deste ano fica por conta da mudança de público alvo dos cromos. Se antes colecionar figurinhas era assunto exclusivamente de crianças, hoje o “troca troca” ganhou ares profissionais e já existem muitos fórums de internet para a troca de cromos raros. Além disso, não é difícil encontrar muitos adultos gastando seus salários em pacotinhos e trocando as figurinhas com seus filhos.

abril 19, 2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário